EXCESSO DE NOVILHAS PODE AFETAR A SAÚDE DOS BEZERROS

Com mais novilhas no rebanho, os desafios aumentam: menor volume e qualidade do colostro e maior risco para bezerros. Conheça estratégias para minimizar impactos

A vaca leiteira média nos EUA hoje produz cerca de 2,8 lactações antes de ser removida do rebanho e substituída por uma vaca mais jovem. Como resultado, mais de um terço da população leiteira lactante dos EUA é composta por novilhas de primeira cria.

Isso não é algo totalmente ruim, de acordo com o Dr. Alvaro Garcia, especialista em ração, nutricionista. “Vacas mais jovens geralmente são mais avançadas geneticamente e economicamente eficientes”, observa Garcia.

Mas essas jovens ficam atrás de suas companheiras mais experientes em vários outros aspectos que influenciam o sucesso do rebanho, especificamente:

VOLUME E QUALIDADE DO COLOSTRO

Garcia afirmou que vacas mais jovens geralmente produzem menos na primeira ordenha, e pesquisas demonstraram que seu colostro contém de 30% a 50% menos IgG do que vacas maduras. Colostro de baixa qualidade resulta em maiores taxas de falha na transferência passiva (TPP) da imunidade em bezerros. A TPP é uma desvantagem para os bezerros tanto a curto quanto a longo prazo.

Os animais afetados podem apresentar fraqueza, reflexo de sucção deficiente e maior suscetibilidade a infecções que causam diarreia, pneumonia e septicemia. A longo prazo, esses bezerros frequentemente apresentam:
Ganho médio diário reduzido,
Conversão alimentar mais baixa,
Puberdade tardia,
Menor produção de leite na primeira lactação e provavelmente serão descartados mais cedo.

DESAFIOS NO PARTO

Novilhas de primeira cria são mais propensas à distocia devido ao tamanho pélvico menor e à inexperiência. O resultado pode ser a privação de oxigênio nos bezerros e uma maior probabilidade de se machucarem ou morrerem durante o parto.

DEFICIÊNCIAS MATERNAS

Após o primeiro parto, as novilhas jovens frequentemente apresentam comportamento maternal mais fraco, como a necessidade de limpar o bezerro. Garcia afirma que isso pode levar a atrasos na formação de vínculos e na termorregulação.

DEMANDAS NUTRICIONAIS MÚLTIPLAS

Como as novilhas ainda estão crescendo quando chega o primeiro bezerro, a partição de nutrientes pode favorecer seu próprio desenvolvimento, impactando a produção de colostro e ameaçando a vitalidade do bezerro.

As novilhas são solicitadas a fazer muitas coisas novas em um curto espaço de tempo. Com tantas novas demandas atingindo-as de uma só vez, não é de se admirar que fiquem para trás no quesito colostro.

“O colostro de vacas na primeira lactação nunca deve ser usado sem testes”, diz Garcia. “Se não for suficiente, deve ser misturado com colostro de melhor qualidade de vacas mais velhas ou suplementado com substitutos de IgG.”

ALTERNATIVAS PARA DRIBLAR O PROBLEMA

Garcia aconselha as fazendas leiteiras a manterem uma reserva de colostro congelado de alta qualidade, idealmente proveniente de vacas mais velhas. Ele também enfatiza a importância de ordenhar vacas recém-nascidas até duas horas após o parto, antes que o colostro se dilua com o leite de transição.

Por fim, Garcia afirma que a vigilância contínua do rebanho para transferência passiva de imunidade é fundamental para todos os rebanhos leiteiros, mas especialmente para os rebanhos jovens. Quando avaliados entre 24 e 48 horas de vida, ele sugere que os bezerros apresentem proteína sérica total de 6,2 g/dL ou escore Brix de pelo menos 8,4% para transferência adequada.

“Se mais de 10% dos bezerros ficarem abaixo desse limite, é um sinal de que os protocolos de colostro precisam de revisão urgente”, afirma.

O material foi originalmente publicado por Maureen Hanson no Dairy Herd Management, as informações foram traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.