Duração do período seco e a produção de leite em vacas da raça Holandesa

Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais contribui com pesquisa

Andressa Silva Santos, Lilian Guimarães Otoni, Jênifer Gleice Pires de Andrade, Jannilson Gonçalves Barroso, Juscilene Aparecida Silva Pacheco, Luís Cláudio Coelho Maciel
Discentes do curso de Zootecnia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM. Membros do Núcleo de Estudos em Pecuária Leiteira – Nepel

Gabriel Machado Dallago
Mestrando em Nutrição de Ruminantes pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM. Membro do Núcleo de Estudos em Pecuária Leiteira – Nepel

Diego Charles de Almeida Santos
Diretor Executivo da Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais- ACGHMG

Roseli Aparecida dos Santos
Docente do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM. Orientadora do Núcleo de Estudos em Pecuária Leiteira – Nepel

 

Resumo: O período seco compreende o intervalo entre duas lactações e refere-se à fase de descanso produtivo do animal, podendo influenciar a produção de leite da lactação subsequente. Objetivou-se com este trabalho avaliar a influência da duração do período seco de vacas, na produção de leite subsequente. Os dados analisados foram fornecidos pela Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais (ACGHMG), com informações de 128 propriedades leiteiras de Minas Gerais, entre os anos de 1992 a 2016, totalizando 54.843 observações referentes à duração do período seco e à produção de leite em 305 dias de lactação. Os dados foram analisados por meio de regressão, utilizando o programa estatístico R, versão 3.4.1. O modelo quadrático ajustado foi estatisticamente significativo (p<0,01) e apresentou coeficiente de ajuste de 0,52. As maiores produções de leite foram observadas quando a duração do período seco foi de 45 a 70 dias, resultando em produção média de 8.750 a 8.700 litros de leite, respectivamente. Dessa forma, não se recomenda manejo visando períodos secos com duração inferior a 45 dias ou superior a 70 dias.

Palavras–chave: bovinocultura, fisiologia animal, manejo

Introdução
A bovinocultura de leite é de grande importância para o agronegócio brasileiro. Contudo, o sucesso da atividade requer que o produtor constantemente, tome decisões que irão influenciar o manejo, a nutrição e a sanidade dos animais. Nesse sentido, pode-se citar a decisão sobre qual será a duração do período seco das vacas.
O período seco compreende o intervalo entre duas lactações, referente à fase de descanso produtivo do animal. O final desta fase é considerado crítico, pois coincide com o término da gestação, momento no qual os animais possuem reduzida capacidade de ingestão de matéria seca. Essa condição torna o animal mais susceptível a desenvolver distúrbios metabólicos no pós-parto, sendo importante basear-se nos princípios da sanidade, nutrição, manejo e conforto, para proporcionar transição adequada entre o período seco e o início de nova lactação.
O descanso produtivo fornecido ao gado leiteiro durante o período seco busca garantir tempo hábil para a renovação das células da glândula mamária, acúmulo de colostro, assegurar o desenvolvimento final do feto e manter as reservas corporais do animal. Esse momento é fundamental para a preparação da vaca para o parto e para as lactações futuras (TAO & MONTEIRO, 2016).
Os questionamentos sobre o tempo necessário para o descanso produtivo da vaca (período seco) é uma discussão antiga, havendo sempre divergências entre criadores e técnicos. Diante do exposto, objetivou-se com o presente trabalho verificar a influência da duração do período seco na produção de leite da lactação subsequente.

Material e Métodos
O banco de dados utilizados no presente trabalho foi fornecido pela Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais – ACGHMG, contendo dados coletados de 128 propriedades leiteiras do estado de Minas Gerais, ao longo dos anos de 1992 e 2016. O arquivo contém informações referentes à duração do período seco e à produção de leite subsequente (305 dias de lactação) totalizando 70.130 observações de animais da raça Holandesa.
Os dados foram analisados por meio de regressão, utilizando o programa estatístico R, versão 3.4.1 (R CORE TEAM, 2017). Durante a preparação, foram eliminadas as observações onde o valor zero estava registrado para a variável produção de leite. Além disso, foram consideradas apenas as observações nas quais a duração máxima do período seco era de 120 dias. A remoção de outliers foi adotada como parâmetro de descarte de observações com valores inferiores ou superiores a -2,5 e +2,5 vezes o desvio absoluto mediano em adição à mediana dos dados, respectivamente. Assim, após a preparação dos dados, a análise foi realizada com 54.843 observações.
A análise de regressão foi conduzida utilizando a função lm do pacote stats, assumindo a produção média de leite, em uma lactação de 305 dias, como variável dependente (y) e, a duração do período seco, como variável independente (x). A escolha do modelo de melhor ajuste foi com base na menor soma dos quadrados do resíduo e pelo maior coeficiente de determinação do ajuste do modelo (R2). A significância do modelo e dos coeficientes angulares foi avaliada adotando o nível de 5% ou menos. A normalidade de distribuição dos resíduos foi confirmada pelo teste de Shapiro-Wilk, utilizando a função shapiro.test do pacote stats, adotando 5% como nível de significância.

Resultados e Discussão
O modelo quadrático foi o que melhor se ajustou na modelagem da variável “produção de leite em 305 dias de lactação”, em relação à variável “duração do período seco”, sendo estatisticamente significativo (P<0,01) e apresentando coeficiente de ajuste do modelo de 0,52 (Figura 1).
Figura 1. Efeito da duração do período seco na produção de leite lactação subsequente.

2018-01-22
*** Coeficiente angular estatisticamente significativo (P < 0,01).

De acordo com a Figura 1, ficou evidente o aumento da produção de leite concomitantemente com o aumento da duração do período seco de 0 até próximo a 60 dias e, redução após. Períodos secos curtos podem não fornecer tempo suficiente para descanso e preparação das células da glândula mamária para dar início a uma nova lactação (LANGONI, 2013), podendo ser esta, uma das explicações para o resultado encontrado no presente trabalho.
Por outro lado, a produção média de leite de animais com período seco superior a 70 dias, é negativamente influenciada (Figura 1). Como citado por Teixeira et al. (1999), períodos secos muito longos, acima de 70 dias, tendem a aumentar a incidência de problemas metabólicos no pós-parto, o que leva à diminuição da produção leiteira, causando também, aumento do intervalo de partos, consequentemente, diminuindo a eficiência reprodutiva do rebanho.
De acordo com os dados analisados observou-se que as maiores produções de leite ocorreram quando a duração do período seco foi de aproximadamente 45 a 70 dias, visto o pico da linha de tendência, o que resultou em produção média em torno de 8.750 e 8.700 litros de leite em 305 dias de lactação, respectivamente, sendo este, considerado o período ideal para maximizar a produção.
Além da produção de leite, o manejo inadequado durante o período seco pode influenciar negativamente a reprodução e a saúde das vacas. Esse impacto negativo pode promover alguns problemas metabólicos e infecciosos, tais como hipocalcemia (febre do leite), cetose, deslocamento de abomaso, retenção de placenta e mastite, que podem inclusive, ocasionar a morte do animal (DUFFIELD et al. 2002).

Conclusões
No estado de Minas Gerais, as maiores produções de leite observadas em rebanhos da raça Holandesaocorreram quando o período seco variou entre 45 e 70 dias.

Agradecimentos
À Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais (ACGHMG) pelo fornecimento dos dados e ao Núcleo de Estudos em Pecuária Leiteira (NEPEL), em especial à orientadora, Profa. Roseli Aparecida dos Santos, pelo apoio e incentivo.
Bibliografia
DUFFIELD, T. et al. Prepartum monensin for the reduction of energy associated disease in postpartum dairy cows.
Jornal of Dairy Science, v.85, n.2, p. 397-405, 2002.

LANGONI, H. Anais do V Congresso Brasileiro da Qualidade do Leite-CBQL. Veterinária e Zootecnia, v.20, n.2, p.001-460, 2013.

R CORE TEAM. R: A language and environment for statistical computing. Vienna, Austria: R Foundation for
Statistical Computing, 2017.

TAO, S.; MONTEIRO, A. P. A. Efeitos do manejo no período pré-parto sobre o crescimento e a saúde dos bezerros. Cad. Téc. Vet. zootec, 09-25, 2016.

TEIXEIRA, N. M. et al. Effects of the previous and present days open and of the previous dry days period on the milk production of the Holstein breed. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 28, n.1, p. 79-85,1999.

 

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