Já na terceira geração, Fábio Leite está a frente do Sítio do Charco que possui uma renomada criação do HVB
A paixão pelo Holandês transcende décadas e gerações. Assim é a família do saudoso Márcio Maciel Leite, do Sítio do Charco, em Cruzília – MG. Os filhos Fábio Ferreira Leite e Marcília Leite Ferraz tornaram sócios e unidos mantém e tentam melhorar cada vez mais o legado do seu pai, tendo sempre em mente os seus ensinamentos e principalmente a crença incondicional no gado HVB.
Márcio Maciel Leite faleceu em 2019, mas em 2013, ele falou para a nossa redação contando histórias, experiências e como surgiu o amor pelo HVB. “Meu pai, tradicionalmente, presenteava com uma bezerra cada filho que nascia. Quando nasci, coube-me uma bezerra que por acaso era HVB”, comentou no Jornal Holandês – Março 2013.
Aproveitando o momento de relembrar… Pai e filho já foram Superintendentes Técnicos da Associação Mineira. Sempre presentes na raça!
Emocionado Fábio Leite ressalta: “Ser criador de Holandês vermelho e branco, é uma paixão que começou com meu pai, foi abraçada por mim e será cultivada pelas gerações futuras do Sítio do Charco!”

MAIS DE 90 ANOS DE CRIAÇÃO
A história da nossa família com o gado Holandês vermelho e branco começou quando meu pai, Márcio Maciel Leite, nasceu há 88 anos e ganhou do meu avô uma bezerra HVB que cresceu e virou vaca. Ele contava que com uns 5 anos de idade, ele e os irmãos subiram na cerca do curral para ver as vacas que esperavam a ordenha e quando olhavam aquele tanto de vacas HPB, a única que se destacava era a vermelha e branca. Ele apontava e dizia: – “aquela ali é a minha”!
Meu pai contava que isso desenvolveu nele, ao longo dos anos, uma verdadeira paixão pela variedade vermelha e branca.
Com o passar do tempo, se tornou adulto e cultivando cada vez mais essa paixão, passou a adquirir do meu avô todas as bezerras HVB que nasciam, essas eram depois inseminadas com touros vermelho e branco, para dar continuidade à variedade e iniciar a formação do seu futuro rebanho!
Em 1976, o Sítio do Charco, que já havia sido comprado e já estava estruturado para produzir leite, recebeu as primeiras novilhas HVB que vieram do rebanho do meu avô, rebanho esse que já estava sendo trabalhado geneticamente através de inseminação artificial e importação de animais da Holanda e Dinamarca!
Somando hoje, os 48 anos que temos de seleção de Holandês vermelho e branco aqui no Sítio do Charco, mais uns 50 anos de seleção de HPB do meu avô, na Fazenda Boa Vista, podemos afirmar que nosso rebanho tem seguramente mais de 90 anos de melhoramento genético!
PRIORIZANDO O CONFORTO
Nossas instalações hoje, desde o bezerreiro até o confinamento das vacas em lactação, são bastante simples e funcionais, priorizando o conforto dos animais e funcionários, otimizando e facilitando o operacional do dia a dia.
Os bezerros são criados em gaiolas suspensas até o oitavo dia de vida, em seguida passam para as baias coletivas com acesso à piquetes até a desmama, depois permanecendo em piquetes até o pré parto.
A recria é toda feita em piquetes onde recebem silagem de milho e ração durante todo o ano, além do pastejo.
Para as vacas em lactação e pré parto utilizamos o confinamento através do sistema de Compost Barn.

REGULARIDADE NA PRODUÇÃO
Nossa opção pelo confinamento para o gado em lactação foi em função da maior eficiência na produtividade e também na reprodução em virtude do maior conforto que proporcionamos aos animais. Com o confinamento, além do aumento significativo na média de produção por vaca/dia, obtivemos também uma maior estabilidade e regularidade na produção diária de leite, principalmente no verão, quando as altas temperaturas levam a uma queda.
O semi-confinamento da recria, por enquanto, ainda é uma boa opção, pois o contato, principalmente com os carrapatos e outros agentes dão maior rusticidade aos animais jovens e os transforma em adultos mais saudáveis.
HÁ DIFERENÇA DO HVB PARA O HPB?
Como são da mesma raça, a meu ver, nenhuma diferença em relação à produção. Aqui nós temos as duas variedades e pela nossa experiência, o que se pode dizer é que o HVB é um pouco mais rústico. Sofre menos com o stress térmico, com isso se torna um pouco mais eficiente na reprodução, pois a perda embrionária é menor, principalmente no verão. Para animais em semi-confinamento que precisam buscar sombra nas horas quentes do dia, a gente observa que as HPB se agrupam nos locais sombreados para fugirem do calor. Normalmente esses locais já contaminados com fezes e urina, são mais propensos à contaminação dos úberes levando a um maior índice de mastites clínicas e aumento da CCS. As HVB não sentem tanto stress térmico em virtude da sua pelagem refletir e não absorver o calor, são mais sadias nesse aspecto!
A variedade preta e branca tem um número de animais muito maior, por esse motivo já foi mais trabalhada, geneticamente falando, e se tem muito mais opções de escolha de reprodutores para o acasalamento. Isso levou a uma diferença de produção em relação à média de lactações, que na variedade HVB é um pouco menor em relação à HPB.
Eu acredito que daqui em diante, a tendência é diminuir cada vez mais essa diferença, pois a melhoria genética do vermelho e branco tem sido muito forte nos últimos anos graças à principalmente dois pontos: a oferta de bons touros, hoje, disponíveis no mercado e o crescente aumento do número de animais HVB nas propriedades. A procura por essa variedade tem aumentado muito e isso, é claro, contribui de maneira muito positiva para o crescimento da raça Holandesa Vermelha e Branca!
SUPERANDO DIFICULDADES
As dificuldades sempre existirão, acredito que sendo eficiente no melhoramento genético, no manejo da fazenda e nutricional se consiga obter mais lucro com a produção de leite e também com a venda de genética.
PRESENÇA EM EVENTOS
Sempre que possível participamos das exposições, sem que isso afete o desempenho da fazenda cujo objetivo principal é a produção de leite.
No meu ponto de vista, são três pontos importantes:
1- Comparar nossa genética com a dos demais participantes
2- Comparar o desenvolvimento dos animais e avaliar se a forma de criação está correta
3- Difundir nosso trabalho, promovendo vendas e ativando o marketing da fazenda
Um exemplo da importância das exposições é que somos mais conhecidos. Hoje, temos uma grande procura por animais HVB, tanto jovens quanto adultos. Temos também um intenso comércio de tourinhos o que nos dá uma grande ajuda nas finanças da fazenda e com certeza a nossa participação nesses eventos tem nos ajudado bastante na divulgação do nosso trabalho.
ASSOCIAÇÃO MINEIRA PRESENTE
Realizo os serviços de Registro Genealógico, Controle Leiteiro e Classificação para Tipo de 100% dos animais, há 48 anos.
Todos eles são ferramentas importantes que muito nos auxiliam no melhoramento genético e dão respaldo ao nosso trabalho de campo. Além disso, o certificado de registro contendo informações oficiais e fidedignas promovem a valorização dos animais. Quanto maior o número de informações no pedigree, maior a confiabilidade da origem do animal. Isso gera maior confiança para quem está adquirindo aquela genética.
O Registro Genealógico, por exemplo agrega valorização do animal, confiabilidade genética, respaldo oficial das informações contidas no pedigree e melhoramento genético. O Controle Leiteiro e A Classificação para Tipo contribuem na avaliação e seleção dos animais.
O resultado desse trabalho contínuo com a Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais, nos mostra hoje, um rebanho muito equilibrado na somatória leite + tipo. Isso traduz também uma correlação incrivelmente positiva entre tipo e leite. Aqui na fazenda, as 20 maiores lactações encerradas em 305 dias são de vacas com mais de 85 pontos para tipo. Essas mesmas vacas são as que ganham as pistas e os torneios leiteiros que participamos aqui na região.
Portanto, essas informações que recebemos da associação nos levam a conhecer melhor o nosso rebanho e são muito úteis no processo de seleção!
Hoje, contamos com 108 vacas em lactação, com produção média 40 kg vaca/dia, sendo 43 primíparas com média de 83,1 pontos para tipo e 65 multíparas com média de 85,6 pontos e lactação encerrada em 305 dias com 11.323,9 kg de média.
SOBREVIVENDO COM O LEITE
É muito difícil dar um conselho de como sobreviver com leite, mas penso que não existe uma regra para crescer e ter sucesso na atividade existem na verdade, vários caminhos e cada um de nós têm que descobrir o seu. Acho muito importante gostar da atividade para ter prazer de trabalhar nela, o resto vem por consequência. O próprio dia a dia nos ensina o caminho!
COMO COMEÇAR…
1- Gostar da raça.
2- Investir em genética.
3- Investir em assistência técnica.
4- Traçar objetivos.
5- Proporcionar conforto e bem estar aos animais.
6 – Ter uma boa equipe de funcionários (responsabilidade e comprometimento)

PLANOS PARA O FUTURO
Melhorar cada vez mais a qualidade e produtividade do rebanho estando sempre antenado às inovações, orientações técnicas dos consultores e parceiros e a evolução genética. Hoje a propriedade já está dividida, mas eu e minha irmã administramos em sociedade. Temos dois sobrinhos, uma veterinária e um agrônomo que trabalham conosco como consultores e que também irão, no futuro, garantir a sucessão!
E assim a história do Sítio do Charco continuará sempre crescendo e se consolidando na criação do HVB!