{"id":3582,"date":"2017-02-15T11:22:48","date_gmt":"2017-02-15T11:22:48","guid":{"rendered":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/?p=3582"},"modified":"2017-03-17T14:15:33","modified_gmt":"2017-03-17T14:15:33","slug":"de-olho-no-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/saude\/de-olho-no-clima\/2017\/02\/","title":{"rendered":"DE OLHO NO CLIMA"},"content":{"rendered":"<p><em>Estamos no ver\u00e3o\u00a0\u00e9 hora de ficar atento, pois o\u00a0tempo quente e \u00famido favorece o aparecimento da mastite bovina<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Fotos: Ag\u00eancia de Not\u00edcias Embrapa<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3581 size-large\" src=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2017_02_chamada4-1024x341.jpg\" alt=\"2017_02_chamada4\" width=\"750\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2017_02_chamada4-1024x341.jpg 1024w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2017_02_chamada4-300x100.jpg 300w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2017_02_chamada4-768x256.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca do ano \u00e9 comum o aumento da mastite nas vacas leiteiras. O clima \u00famido e quente \u00e9 prop\u00edcio para a prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias que causam a doen\u00e7a. De acordo com o pesquisador Luiz Francisco Zafalon, da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste, neste per\u00edodo chuvoso, a dificuldade para controlar a higiene \u00e9 maior. \u201cA contamina\u00e7\u00e3o pode ocorrer quando o animal deita-se no pasto \u00famido ou na terra encharcada e com excesso de esterco. As bact\u00e9rias presentes no ambiente entram pelo teto e inicia-se o processo inflamat\u00f3rio. Durante a ordenha tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel a transmiss\u00e3o das bact\u00e9rias causadoras da mastite, de uma vaca para outra\u201d, afirma Zafalon.<br \/>\nA mastite \u00e9 uma das doen\u00e7as mais comuns nos rebanhos bovinos e pode afetar a qualidade do leite.<br \/>\nA enfermidade causa inflama\u00e7\u00e3o na gl\u00e2ndula mam\u00e1ria do animal, prejudicando a qualidade e a quantidade de leite produzido. A vaca infectada pode deixar de produzir at\u00e9 tr\u00eas litros de leite por dia.<br \/>\nQuando o animal apresenta o quadro de mastite cl\u00ednica, o produtor consegue visualizar altera\u00e7\u00f5es no leite, al\u00e9m de incha\u00e7os e vermelhid\u00e3o nos tetos. J\u00e1 na subcl\u00ednica, o animal n\u00e3o apresenta altera\u00e7\u00f5es no leite nem na gl\u00e2ndula mam\u00e1ria. Mas sua preval\u00eancia \u00e9 superior e pode se espalhar no rebanho, o que causa preju\u00edzos econ\u00f4micos e compromete a qualidade do leite e a sa\u00fade do animal. A mastite subcl\u00ednica \u00e9 respons\u00e1vel por aproximadamente 70% das perdas relacionadas a essa doen\u00e7a.<br \/>\nSegundo o pesquisador, medidas para assegurar a qualidade e a seguran\u00e7a do leite devem ser iniciadas ainda na fazenda com a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o. Orienta\u00e7\u00f5es de manejo e de cuidados com a higiene podem evitar preju\u00edzos. Por isso \u00e9 importante conscientizar o ordenhador e os produtores de leite, quanto aos procedimentos adequados de ordenha, incluindo as formas corretas de higieniza\u00e7\u00e3o e descontamina\u00e7\u00e3o do ambiente, do animal, do profissional e de todos os utens\u00edlios utilizados na ordenha. Nesta \u00e9poca de chuva, o cuidado com a higiene deve ser redobrado.<\/p>\n<p><strong>PRODUTORES DEVEM ESTAR SEMPRE ATENTOS<\/strong><\/p>\n<p>Produtores rurais que trabalham com pecu\u00e1ria leiteira devem estar sempre atentos \u00e0 mastite.<br \/>\nDe acordo com a pesquisadora da Embrapa Rond\u00f4nia, Juliana Dias, as perdas econ\u00f4micas decorrem de v\u00e1rios fatores como: diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, custos com m\u00e3o de obra, honor\u00e1rios profissionais, gastos com medicamentos, morte ou descarte precoce de animais e queda na qualidade do produto final. Al\u00e9m das perdas, a infec\u00e7\u00e3o pode representar risco \u00e0 sa\u00fade humana devido \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de microrganismos e toxinas no leite consumido.<br \/>\nA pesquisadora explica que a mastite \u00e9 causada, principalmente, por bact\u00e9rias, mas tamb\u00e9m podem ocorrer casos devido \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por fungos, algas e v\u00edrus. A doen\u00e7a pode se apresentar de duas formas. A forma cl\u00ednica \u00e9 caracterizada por altera\u00e7\u00e3o no leite, podendo ocorrer tamb\u00e9manormalidades vis\u00edveis no \u00fabere, como aumento de temperatura e edema. J\u00e1 a forma subcl\u00ednica \u00e9 caracterizada pela aus\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es vis\u00edveis a olho nu. \u201cA forma subcl\u00ednica ocorre com mais frequ\u00eancia sendo respons\u00e1vel por cerca de 70% das perdas, e pode diminuir a produ\u00e7\u00e3o de leite em at\u00e9 45%\u201d, informa Juliana.<\/p>\n<p><em>Controle<\/em><br \/>\nPara o controle da mastite, um conjunto de medidas pode ser aplicado junto ao rebanho, como a defini\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, a higiene e o conforto no local onde ficam os animais e o manejo adequado de ordenha. Os procedimentos que garantem esse manejo adequado s\u00e3o: realiza\u00e7\u00e3o do teste da caneca telada em todas as ordenhas para o diagn\u00f3stico de mastite cl\u00ednica; realiza\u00e7\u00e3o do California Mastitis Test &#8211; CMT a cada quinze dias para o diagn\u00f3stico da mastite subcl\u00ednica; desinfec\u00e7\u00e3o dos tetos antes da ordenha; secagem dos tetos com papel toalha; realiza\u00e7\u00e3o da ordenha manual ou coloca\u00e7\u00e3o da ordenhadeira mec\u00e2nica; desinfec\u00e7\u00e3o dos tetos ap\u00f3s a ordenha e alimenta\u00e7\u00e3o dos animais para que eles permane\u00e7am em p\u00e9 at\u00e9 o completo fechamento do esf\u00edncter do teto.<br \/>\n\u201cPara evitar a transmiss\u00e3o da mastite, al\u00e9m do manejo de ordenha adequado, recomenda-se a implanta\u00e7\u00e3o da linha de ordenha, utilizando como base o resultado do CMT. A linha \u00e9 estruturada de forma que as vacas negativas sejam ordenhadas primeiramente. Em seguida, as vacas com mastite subcl\u00ednica e, por \u00faltimo, os animais com mastite cl\u00ednica\u201d, explica Juliana.<br \/>\nAs medidas para o controle da doen\u00e7a tamb\u00e9m incluem o tratamento imediato dos casos cl\u00ednicos com antibi\u00f3tico. A indica\u00e7\u00e3o do medicamento deve ser feita por um t\u00e9cnico. O tratamento deve ser realizado por, no m\u00ednimo tr\u00eas dias. A pesquisadora observa que os animais que est\u00e3o sendo tratados devem ser marcados e o leite deles descartado durante o tratamento, considerando o per\u00edodo de car\u00eancia do produto descrito na bula, para evitar a presen\u00e7a de res\u00edduos no leite do tanque ou lat\u00e3o.<br \/>\nOutra medida \u00e9 a limpeza e manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos de ordenha, sendo que esta \u00faltima deve ser feita a cada seis meses, visando garantir a sanidade da gl\u00e2ndula mam\u00e1ria. A lavagem do equipamento deve ser feita imediatamente ap\u00f3s a ordenha seguindo as instru\u00e7\u00f5es do fabricante.<br \/>\nDurante a secagem, o uso de antibi\u00f3ticos espec\u00edficos em todos os quartos do animal \u00e9 fundamental para o tratamento de casos subcl\u00ednicos, adquiridos durante a lacta\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m para a preven\u00e7\u00e3o de novas infec\u00e7\u00f5es durante o per\u00edodo seco. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que o animal tratado seja acompanhado durante as duas primeiras semanas p\u00f3s-tratamento.<br \/>\nDe acordo com Juliana, devem ser separados e descartados os animais com mastite cr\u00f4nica n\u00e3o curada, devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva do teto afetado e potencial fonte de infec\u00e7\u00e3o para os animais n\u00e3o infectados.<\/p>\n<p><em>Medidas<\/em><br \/>\nPara evitar a ocorr\u00eancia da mastite no rebanho, recomenda-se a an\u00e1lise do California Mastitis Test -CMT ou CCS, ou exame microbiol\u00f3gico do leite, dos animais a serem comprados. C\u00e9lulas som\u00e1ticas s\u00e3o c\u00e9lulas de defesa (predominantemente leuc\u00f3citos) e c\u00e9lulas de descama\u00e7\u00e3o do epit\u00e9lio mam\u00e1rio. \u201cEm caso de mastite, existe um aumento das c\u00e9lulas som\u00e1ticas no leite, o que \u00e9 definido como indicador da infec\u00e7\u00e3o. O CMT \u00e9 um teste feito a campo para diagn\u00f3stico da mastite, pois detecta a presen\u00e7a de c\u00e9lulas som\u00e1ticas -CS no leite. O CCS, que \u00e9 a contagem de c\u00e9lulas som\u00e1ticas, \u00e9 realizado em laborat\u00f3rios oficiais da Rede Brasileira de Laborat\u00f3rios de Qualidade do Leite &#8211; RBQL, por isso \u00e9 mais preciso e confi\u00e1vel e os valores s\u00e3o expressos em c\u00e9lulas por mL\u201d, esclarece Juliana Dias.<\/p>\n<p><em>Monitoramento<\/em><br \/>\nO monitoramento da doen\u00e7a deve ser feito atrav\u00e9s da coleta sistem\u00e1tica de dados de CCS dos animais. Para os casos de mastite cl\u00ednica devem ser registrados dados como: n\u00famero do animal, dura\u00e7\u00e3o do caso, dia, tratamento realizado e dura\u00e7\u00e3o do tratamento. Al\u00e9m dessas informa\u00e7\u00f5es individuais, \u00e9 necess\u00e1rio o monitoramento dos dados do rebanho, como incid\u00eancia de casos de mastite cl\u00ednica e informa\u00e7\u00f5es sobre CCS dos animais. \u201cNos animais em que a CCS est\u00e1 alta \u00e9 indicada a realiza\u00e7\u00e3o da cultura microbiol\u00f3gica para a identifica\u00e7\u00e3o do agente causador da infec\u00e7\u00e3o e, assim, estabelecer uma estrat\u00e9gia de controle mais eficaz\u201d, finaliza a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>NANOTECNOLOGIA UMA ARMA PARA TRATAR O PROBLEMA<\/strong><\/p>\n<p>Um presente de grego para as bact\u00e9rias causadoras da mastite em rebanhos leiteiros. Essa \u00e9 a alegoria usada pela pesquisadora Vanessa Mosqueira para explicar como atua o antibi\u00f3tico nanoestruturado, desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto &#8211; Ufop. Mas, em vez de um enorme cavalo de madeira constru\u00eddo para esconder os guerreiros gregos que iriam invadir a cidade de Troia, a professora da Escola de Farm\u00e1cia da Ufop e o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Humberto Brand\u00e3o constru\u00edram uma nanoc\u00e1psula (part\u00edcula um bilh\u00e3o de vezes menor do que o metro) para transportar mol\u00e9culas de antibi\u00f3tico numa viagem at\u00e9 o interior da c\u00e9lula. Nessa jornada pela gl\u00e2ndula mam\u00e1ria, as mol\u00e9culas travam a guerra contra bact\u00e9rias, como o Staphylococcus aureus, que causam a doen\u00e7a.<br \/>\nA mastite, caracterizada pela inflama\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula mam\u00e1ria, \u00e9 um dos maiores inimigos do pecuarista de leite em todo o mundo. Acredita-se que uma em cada quatro vacas apresente o problema pelo menos uma vez ao longo de sua vida produtiva. Embora o Brasil n\u00e3o possua n\u00fameros oficiais dos preju\u00edzos causados pela doen\u00e7a, estima-se que o impacto alcance at\u00e9 10% do faturamento das propriedades. O pesquisador da Embrapa Gado de Leite Guilherme Nunes de Souza avalia que, somente nos Estados Unidos, onde as estat\u00edsticas sobre a quest\u00e3o est\u00e3o mais avan\u00e7adas, a mastite provoque perdas anuais da ordem de dois bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, ao descarte do leite e de animais e aos custos com medicamentos e honor\u00e1rios veterin\u00e1rios.<br \/>\nUm inimigo t\u00e3o forte carece de um oponente digno de trag\u00e9dia grega. Para Brand\u00e3o, esse oponente est\u00e1 na nanotecnologia, que tem revolucionado a farmacologia mundial, cuja aplicabilidade vai da ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de medicamentos. O resultado das pesquisas de Brand\u00e3o e Mosqueira foi o desenvolvimento de nanoestruturas para tornar mais eficiente a a\u00e7\u00e3o dos antibi\u00f3ticos. O pesquisador explica que os medicamentos convencionais n\u00e3o conseguem atuar de forma ampla no combate aos agentes que provocam a mastite. Segundo ele, \u201cdurante o tratamento, as bact\u00e9rias que est\u00e3o fora das c\u00e9lulas fagocit\u00e1rias (c\u00e9lulas de defesa) costumam ser eliminadas, mas algumas sobrevivem \u00e0 fagocitose e ficam protegidas do antibi\u00f3tico no espa\u00e7o intracelular. Quando a c\u00e9lula fagocit\u00e1ria morre, a bact\u00e9ria que estava l\u00e1 dentro fica livre e volta a se proliferar no interior do \u00fabere da vaca, dificultando a cura dos animais tratados\u201d. Isso explica por que essa inflama\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de ser combatida. Segundo Nunes, a possibilidade de se eliminar o Staphylococcus aureus durante o per\u00edodo de lacta\u00e7\u00e3o, via tratamento intramam\u00e1rio, gira em torno de 30%. Com o tratamento da vaca seca (in\u00edcio do per\u00edodo entre as lacta\u00e7\u00f5es) \u00e9 poss\u00edvel obter \u00eaxito de at\u00e9 80%. \u201c\u00c9 dif\u00edcil resolver o problema completamente\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>A PESQUISA<\/strong><\/p>\n<p>A tecnologia do antibi\u00f3tico nanoestruturado foi disponibilizada para a ind\u00fastria farmac\u00eautica em agosto de 2016, por meio de \u2018chamamento p\u00fablico\u2019, com o objetivo de buscar parceiros junto \u00e0 iniciativa privada para desenvolvimento, produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do medicamento. Essa \u00e9 a \u00faltima fase de uma pesquisa que teve in\u00edcio h\u00e1 quase dez anos e envolveu outras tr\u00eas Unidades da Embrapa (Pecu\u00e1ria Sudeste, Instrumenta\u00e7\u00e3o e Caprinos e Ovinos), al\u00e9m da Rede Agronano, liderada pela Embrapa, e da Rede Mineira de Nanobiotecnologia (Nanobiomg-Fapemig). Desde o in\u00edcio dos estudos, cerca de tr\u00eas dezenas de pessoas entre pesquisadores, analistas, t\u00e9cnicos e estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o trabalharam no projeto.<br \/>\nAs pesquisas tiveram in\u00edcio em 2007, quando o m\u00e9dico-veterin\u00e1rio Humberto Brand\u00e3o foi contratado pela Embrapa Gado de Leite para desenvolver estudos em nanotecnologia. Brand\u00e3o investigou as expertises dessa Unidade da Embrapa, com sede em Juiz de Fora &#8211; MG, encontrando ali um grupo pr\u00e9-instalado que atuava na \u00e1rea de qualidade do leite, com um importante hist\u00f3rico nos estudos sobre mastite. \u201cEsse grupo, com um vasto conhecimento acumulado, foi fundamental para que orient\u00e1ssemos nossas a\u00e7\u00f5es para o tratamento da mastite\u201d, relata.<br \/>\nEm dezembro de 2010, com a tecnologia elaborada,foi feito o dep\u00f3sito da patente e tiveram in\u00edcio os estudos cl\u00ednicos e de seguran\u00e7a do antibi\u00f3tico nanoestruturado. Os resultados foram positivos. Em 2011,realizou-se o tratamento de mastite da primeira vaca no campo experimental da Embrapa Gado de Leite, em Coronel Pacheco (MG), por meio da nanotecnologia. A equipe acredita que tenha sido o primeiro bovino no mundo a receber essa terapia. N\u00e3o houve efeitos adversos, nem se identificou res\u00edduos qu\u00edmicos no leite.<br \/>\nA mastite em ovelhas tamb\u00e9m foi alvo de experimentos, coordenados pelo pesquisador da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste Luiz Zafalon. No tratamento da mastite subcl\u00ednica, os resultados obtidos com a nova formula\u00e7\u00e3o apresentaram taxa de cura superior com a metade da dose do antibi\u00f3tico da formula\u00e7\u00e3o convencional. \u201cEm nossas pesquisas, o n\u00famero de animais com o problema diminuiu e o medicamento demonstrou potencial para prevenir novas infec\u00e7\u00f5es sem que fossem observados efeitos adversos nos animais\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p><em>Como atua a nanoestrutura<\/em><br \/>\nA diferen\u00e7a entre o tratamento convencional e a utiliza\u00e7\u00e3o de nanoestruturas est\u00e1, basicamente, em como o medicamento \u00e9 carreado no organismo. Em tese, nada muda em rela\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio ativo em si (o antibi\u00f3tico), mas no seu transporte at\u00e9 as c\u00e9lulas. O antibi\u00f3tico utilizado \u00e9 a cloxacilina. A escolha do f\u00e1rmaco foi baseada em hist\u00f3rico pr\u00e9vio de resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos gerado pela Rede de Recursos Gen\u00e9ticos Microbianos da Embrapa (Rede Microbiana), que mant\u00e9m um banco de germoplasma para estudos de aplica\u00e7\u00f5es no agroneg\u00f3cio. O antibi\u00f3tico \u00e9 encapsulado em uma nanopart\u00edcula menor do que a c\u00e9lula, um cavalo de Troia de dimens\u00f5es infinitesimais, que far\u00e1 sua odisseia pelo \u00fabere da vaca, at\u00e9 chegar a compartimentos biol\u00f3gicos a que formula\u00e7\u00f5es farmac\u00eauticas convencionais n\u00e3o t\u00eam acesso, como, por exemplo, o interior das c\u00e9lulas de defesa da gl\u00e2ndula mam\u00e1ria.<br \/>\nA partir da\u00ed, \u00e9 feita a libera\u00e7\u00e3o controlada e direcionada do antibi\u00f3tico diretamente no local onde o agente causador da doen\u00e7a fica protegido das formula\u00e7\u00f5es convencionais. \u201cPor ser mais eficiente e utilizar de forma mais racional o antibi\u00f3tico, a nanoestrutura dificulta a sele\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias resistentes, aumentando a vida \u00fatil do f\u00e1rmaco\u201d, diz Brand\u00e3o. O medicamento foi desenvolvido para ser usado na terapia da vaca seca, a que \u00e9 submetido todo o rebanho, para o controle preventivo da mastite. Nesse caso, segundo Brand\u00e3o, os resultados preliminares indicam que o medicamento n\u00e3o deixa res\u00edduos no leite.<br \/>\nPara os pesquisadores, a nanotecnologia vai ao encontro da terapia de precis\u00e3o e \u00e9 uma das \u00e1reas que mais avan\u00e7ar\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos. \u201cA t\u00e9cnica permite melhorar a a\u00e7\u00e3o dos f\u00e1rmacos tradicionais, por meio de uma libera\u00e7\u00e3o sustentada, diminuindo a necessidade de m\u00faltiplas aplica\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Brand\u00e3o. Com a escolha da empresa parceira, que prosseguir\u00e1 os estudos em escala industrial, as pesquisas com o antibi\u00f3tico nanoestruturado da Embrapa entram em sua fase final. A expectativa \u00e9 que o medicamento esteja no mercado em menos de cinco anos. Brand\u00e3o acredita que os pre\u00e7os ao produtor ser\u00e3o compat\u00edveis com os de f\u00e1rmacos convencionais. Mas o pesquisador esclarece que a nanotecnologia n\u00e3o substituir\u00e1 os cuidados de manejo do rebanho para o controle e preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Mal-do-caro\u00e7o<\/em><br \/>\nOutra experi\u00eancia realizada com ovelhas visa tratar a linfadenite caseosa, conhecida pelos produtores como mal-do-caro\u00e7o. \u201cEssa \u00e9 uma doen\u00e7a contagiosa que acomete pequenos ruminantes\u201d, explica a pesquisadora Patr\u00edcia Yoshida, que est\u00e1 conduzindo os experimentos iniciais na Embrapa Caprinos e Ovinos. Causada por uma bact\u00e9ria (Corynebacterium pseudotuberculosis), a patologia se caracteriza pela presen\u00e7a de abscessos (caro\u00e7os) nos linfonodos (g\u00e2nglios linf\u00e1ticos) e \u00f3rg\u00e3os internos, provocando preju\u00edzos sanit\u00e1rios e econ\u00f4micos.<br \/>\nA linfadenite caseosa \u00e9 de dif\u00edcil controle, pois os medicamentos convencionais n\u00e3o atuam no interior da c\u00e9lula de defesa do animal, onde a bact\u00e9ria se instala. No entanto, nos testes in vitro, o antibi\u00f3tico nanoestruturado se mostrou menos t\u00f3xico com resultados promissores contra o pat\u00f3geno.<\/p>\n<p><strong>A LEGISLA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A inflama\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula mam\u00e1ria tem como consequ\u00eancia a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, o descarte prematuro da vaca e at\u00e9 a morte do animal. Al\u00e9m disso, interfere diretamente na qualidade do leite, que passa a ter um \u00edndice elevado de c\u00e9lulas som\u00e1ticas, indicativo de que h\u00e1 mastite cl\u00ednica ou subcl\u00ednica no rebanho. A Instru\u00e7\u00e3o Normativa 62, do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento &#8211; Mapa, define, atualmente, que a contagem de c\u00e9lulas som\u00e1ticas &#8211; CCS nos rebanhos brasileiros n\u00e3o deve ser superior a 500 mil c\u00e9lulas\/ml de leite. Individualmente, 200 mil c\u00e9lulas\/ml j\u00e1 s\u00e3o indicativo de que a vaca apresenta mastite subcl\u00ednica. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira tem exigido uma redu\u00e7\u00e3o gradual da contagem de c\u00e9lulas som\u00e1ticas desde 2005. A partir de 2018, o Mapa exigir\u00e1 que os valores de CCS sejam de, no m\u00e1ximo, 400 mil c\u00e9lulas\/ml nos estados do centro-sul do Pa\u00eds. No ano seguinte, os estados das regi\u00f5es Norte e Nordeste dever\u00e3o adotar o mesmo limite.<br \/>\nEvitar novas infec\u00e7\u00f5es e tratar as j\u00e1 estabelecidas deve ser a meta nas propriedades leiteiras. A analista da Embrapa Gado de Leite Let\u00edcia Mendon\u00e7a diz que a mastite pode se dar de forma contagiosa. Quanto antes for diagnosticada e mais r\u00e1pido forem tomadas as medidas de controle, tratamento e preven\u00e7\u00e3o, menor ser\u00e3o as chances de propaga\u00e7\u00e3o para outros animais. O controle da doen\u00e7a ocorre por meio de pr\u00e1ticas de manejo corretas em que o produtor dever\u00e1 estar atento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BOAS PR\u00c1TICAS NA HORA DA ORDENHA<\/strong><br \/>\n1 \u2013 Cheque se o local de ordenha est\u00e1 preparado para receber as vacas.<\/p>\n<p>2 \u2013 Realize as ordenhas sempre nos mesmos hor\u00e1rios.<\/p>\n<p>3 \u2013 Conduza as vacas para o local de ordenha com calma, sem bater nos animais, nem correr e nem gritar.<\/p>\n<p>4 \u2013 Respeite a forma\u00e7\u00e3o da linha de ordenha. Ordenhe primeiro as vacas em boas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e deixe para o final as vacas com problemas.<\/p>\n<p>5 \u2013 Acomode as vacas no local de ordenha, n\u00e3o grite, nem empurre ou bata nas vacas para que elas se posicionem.<\/p>\n<p>6 \u2013 Se julgar necess\u00e1rio, amarre as pernas das vacas mais agitadas. N\u00e3o utilize a corda para bater ou amea\u00e7ar o animal.<\/p>\n<p>7 \u2013 Tenha mais cuidado com novilhas rec\u00e9m-paridas e vacas mais reativas.<\/p>\n<p>8 \u2013 Lave os tetos com \u00e1gua corrente somente quando estiverem sujos, n\u00e3o molhe o \u00fabere.<\/p>\n<p>9 \u2013 Fa\u00e7a a vaca perceber sua presen\u00e7a nesse momento, chame-a pelo nome, sinalize a sua presen\u00e7a antes de tocar em seu teto.<\/p>\n<p>10 \u2013 Fa\u00e7a o teste da caneca de fundo preto para o diagn\u00f3stico de mastite cl\u00ednica, cheque teto por teto. Se o teste der negativo continue a ordenha. No caso do resultado do teste ser positivo, transfi ra a vaca para a \u00faltima bateria da linha de ordenha.<\/p>\n<p>11 \u2013 No caso de ordenha com bezerro ao p\u00e9, libere o bezerro e deixe que ele mame um pouco em todos os tetos para estimular a descida do leite, afastando-o do \u00fabere logo em seguida. N\u00e3o puxe o bezerro pela cauda ou orelhas.<\/p>\n<p>12 \u2013 Em ordenhas sem bezerro ao p\u00e9, realize o pr\u00e9-dipping e aguarde 30 segundos para secar os tetos.<\/p>\n<p>13 \u2013 Seque os tetos um a um, utilize papel toalha descart\u00e1vel.<\/p>\n<p>14 \u2013 Acople as teteiras ou, em caso de ordenha manual, ordenhe a vaca.<\/p>\n<p>15 \u2013 Ajuste bem as teteiras para prevenir entrada de ar.<\/p>\n<p>16 \u2013 Se alguma vaca defecar ou urinar durante a ordenha utilize um rodo ou p\u00e1 e empurre (ou puxe) os dejetos para a calha de drenagem. Lave o local apenas no intervalo entre as baterias de ordenha.<\/p>\n<p>17 \u2013 Desligue o v\u00e1cuo ap\u00f3s cessar o fl uxo de leite e remova as teteiras.<\/p>\n<p>18 \u2013 Realize a desinfec\u00e7\u00e3o dos tetos (p\u00f3s-dipping).<\/p>\n<p>19 \u2013 Nos casos de ordenha com bezerro ao p\u00e9, deixe-o junto com a m\u00e3e por pelo menos 20 minutos ap\u00f3s a ordenha e fa\u00e7a o p\u00f3s-dipping ap\u00f3s a aparta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>20 \u2013 Libere as vacas da sala de ordenha calmamente.<\/p>\n<p>21 \u2013 Realize a limpeza das instala\u00e7\u00f5es e dos equipamentos imediatamente ap\u00f3s a ordenha.<\/p>\n<p>22 \u2013 Para a lavagem e desinfec\u00e7\u00e3o de equipamentos de ordenha mecanizada siga sempre as instru\u00e7\u00f5es do fabricante.<\/p>\n<p>23 \u2013 Na ordenha manual, os baldes e os utens\u00edlios dever\u00e3o ser lavados com \u00e1gua corrente e detergente.<\/p>\n<p>24 \u2013 Ap\u00f3s cada ordenha deixe as instala\u00e7\u00f5es e todos os equipamentos, materiais e utens\u00edlios preparados para o in\u00edcio da pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>25 \u2013 As aplica\u00e7\u00f5es de medicamentos e outros tratamentos, n\u00e3o devem ser feitos na sala de ordenha. Defi na um local adequado para esses tratamentos, com boas condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a para os animais e para os respons\u00e1veis pelo trabalho.<\/p>\n<p>26 \u2013 Forne\u00e7a alimento para as vacas logo ap\u00f3s elas sa\u00edrem da sala de ordenha.<br \/>\nFonte: Boas Pr\u00e1ticas de Manejo Funep<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos no ver\u00e3o\u00a0\u00e9 hora de ficar atento, pois o\u00a0tempo quente e \u00famido favorece o aparecimento da mastite bovina<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3581,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-3582","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3582"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3598,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3582\/revisions\/3598"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}