{"id":4816,"date":"2017-12-16T11:17:16","date_gmt":"2017-12-16T11:17:16","guid":{"rendered":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/?p=4816"},"modified":"2017-12-16T11:17:16","modified_gmt":"2017-12-16T11:17:16","slug":"o-preco-do-leite-despencou-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/artigo\/o-preco-do-leite-despencou-e-agora\/2017\/12\/","title":{"rendered":"O pre\u00e7o do leite despencou. E agora?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alexandre M. Pedroso<\/strong> |\u00a0Engenheiro agr\u00f4nomo<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Foto\u00a0arquivo ACGHMG<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4818\" src=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/HO-12-2017-52A.jpg\" alt=\"HO-12-2017-52A\" width=\"369\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/HO-12-2017-52A.jpg 369w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/HO-12-2017-52A-294x300.jpg 294w\" sizes=\"auto, (max-width: 369px) 100vw, 369px\" \/><\/p>\n<p>Sustentabilidade \u00e9 um conceito que tem tr\u00eas pilares fundamentais: responsabilidade ambiental, responsabilidade social e responsabilidade econ\u00f4mica. Ou seja, para que uma empresa seja de fato sustent\u00e1vel ela precisa ser ambientalmente amig\u00e1vel, socialmente respons\u00e1vel e, principalmente, precisa ser lucrativa j\u00e1 que n\u00e3o existe sustentabilidade sem lucro. Nos \u00faltimos meses vimos o pre\u00e7o do leite literalmente despencar no Brasil, e isso, sem sombra de d\u00favidas, compromete a lucratividade das fazendas leiteiras. Com esse cen\u00e1rio, o que o produtor de leite deve fazer?<br \/>\nUma das coisas que parecem \u00f3bvias diante desse cen\u00e1rio \u00e9 cortar custos. Toda e qualquer fazenda, para ser eficiente e lucrativa, precisa controlar muito bem os seus gastos, o seu fluxo de caixa. As despesas que n\u00e3o t\u00eam impacto direto na produ\u00e7\u00e3o devem ser reduzidas ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para manter a estrutura funcionando. No entanto, quando se trata de custos, que s\u00e3o os investimentos feitos nos fatores de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso ter muita aten\u00e7\u00e3o e pensar estrategicamente. Os custos devem ser controlados, mas nem sempre cortar alguns deles \u00e9 o melhor caminho.<br \/>\nInfelizmente, cortar a comida das vacas \u00e9 uma das pr\u00e1ticas ainda largamente adotadas em nosso pa\u00eds quando o pre\u00e7o do leite cai. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a alimenta\u00e7\u00e3o do rebanho \u00e9 o principal item de custo em sistemas intensivos de produ\u00e7\u00e3o, especialmente os alimentos concentrados. Mas ser\u00e1 que a melhor alternativa \u00e9 reduzir a oferta de ra\u00e7\u00e3o para as vacas com o objetivo de diminuir os gastos da fazenda?<br \/>\nVamos avaliar uma situa\u00e7\u00e3o em que um produtor de leite decide reduzir a oferta de concentrado para as vacas em lacta\u00e7\u00e3o quando o valor que ele recebe pelo leite cai de R$ 1,40 para R$ 1,20\/litro. Suas vacas produziam em m\u00e9dia 30kg leite ao dia e consumiam 10kg de um concentrado comercial com 22%PB. Este \u00e9 o Cen\u00e1rio 1, descrito na tabela 1 abaixo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4817\" src=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/HO-12-2017-48.jpg\" alt=\"HO-12-2017-48\" width=\"490\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/HO-12-2017-48.jpg 490w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/HO-12-2017-48-300x159.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 490px) 100vw, 490px\" \/><br \/>\nO Cen\u00e1rio 1 representa a situa\u00e7\u00e3o normal da fazenda, ou seja, a dieta fornecida \u00e0s vacas \u00e9 a que foi formulada pelo t\u00e9cnico nutricionista: as vacas recebem 10kg de concentrado\/ dia e produzem em m\u00e9dia 30kg leite. O custo da comida \u00e9 de R$ 16,52\/vaca\/dia, considerando que o concentrado custa R$ 1,19\/kg. Com o pre\u00e7o do leite a R$ 1,20\/litro, a receita que cada vaca proporciona \u00e9 de R$ 36,00\/ dia. Descontando-se o custo de alimenta\u00e7\u00e3o, sobra R$ 19,48\/dia (RMCA). Se considerarmos que esse produtor tem 50 vacas em lacta\u00e7\u00e3o, a cada m\u00eas o RMCA \u00e9 de R$ 29.220,00. Esse \u00e9 o dinheiro que sobra para pagar os demais custos e despesas e apurar o lucro.<br \/>\nO Cen\u00e1rio 2 reflete uma situa\u00e7\u00e3o em que o produtor decide cortar custos e reduz a oferta de ra\u00e7\u00e3o para as vacas, passando a dar 8kg de concentrado \u2013 2kg a menos. Nesse caso, mesmo considerando que as vacas ir\u00e3o consumir um pouco mais de alimentos volumosos, o custo de alimenta\u00e7\u00e3o cai para R$ 14,53\/vaca\/dia. Em termos percentuais isso significa uma economia de 12%, mas ser\u00e1 que foi um bom neg\u00f3cio?<br \/>\nNessa situa\u00e7\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o das vacas diminui, e bastante, em resposta \u00e0 menor oferta de concentrado, e assim a receita apurada com o leite tamb\u00e9m diminui, de forma que o RMCA fica em R$ 16,67\/vaca\/dia ou R$ 25.005,20\/m\u00eas. Isso representa uma redu\u00e7\u00e3o de 14% nesse par\u00e2metro, ou seja, o saldo \u00e9 muito pior do que no cen\u00e1rio anterior.<br \/>\nSe o produtor decidir reduzir ainda mais a oferta de ra\u00e7\u00e3o para as vacas a situa\u00e7\u00e3o piora, conforme ilustrado no Cen\u00e1rio 3 da tabela. O custo de alimenta\u00e7\u00e3o diminui, mas a RMCA diminui ainda mais, de forma que sobre muito menos dinheiro no final do m\u00eas. Ou seja, esse exemplo mostra de forma muito clara que reduzir a ra\u00e7\u00e3o das vacas para tentar economizar dinheiro pode ser um grande \u201ctiro no p\u00e9\u201d. Controlar custos sempre \u00e9 importante, mas \u00e9 preciso focar no lucro. Se a redu\u00e7\u00e3o no custo operacional resultar em menor lucro, o produtor perder\u00e1 dinheiro.<br \/>\nMas, de forma alguma isso significa que o produtor n\u00e3o tem sa\u00edda para lidar com pre\u00e7os reduzidos do leite. H\u00e1 muita coisa que pode ser feita na fazenda para melhorar a margem de lucro, mas tudo passa por um conceito muito importante: efici\u00eancia produtiva. H\u00e1 in\u00fameros aspectos no dia a dia da propriedade que podem afetar significativamente a efici\u00eancia e que muitas vezes s\u00e3o ignorados por boa parte dos produtores de leite. Dentre estes podemos citar as perdas na armazenagem de gr\u00e3os e alimentos concentrados em fun\u00e7\u00e3o de estocagem mal feita; perda de capacidade produtiva das vacas por falta de condi\u00e7\u00f5es adequadas de conforto; falhas no manejo da alimenta\u00e7\u00e3o, como cargas e misturas mal feitas; e baixa qualidade dos alimentos volumosos produzidos na fazenda.<br \/>\nAinda h\u00e1 propriedades leiteiras que conseguem utilizar apenas 80% ou menos dos gr\u00e3os de milho que compram para alimentar as vacas. Isso ocorre, na maioria das vezes, por armazenamento inadequado que resulta em apodrecimento e perda de parte do material. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o risco de intoxica\u00e7\u00e3o das vacas pela presen\u00e7a de micotoxinas produzidas por fungos que se desenvolvem nos gr\u00e3os em condi\u00e7\u00f5es ruins de armazenagem. Essas toxinas causam perdas em produ\u00e7\u00e3o de leite, bem como comprometem a reprodu\u00e7\u00e3o das vacas. Por isso, todo alimento deve ser muito bem armazenado na fazenda para que se mantenha em condi\u00e7\u00f5es adequadas de fornecimentos para os animais e para evitar despesas extras geradas pelas perdas.<br \/>\nA quest\u00e3o do conforto animal \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para o bom desempenho e efici\u00eancia do rebanho. Uma vaca leiteira sob stress cal\u00f3rico, por exemplo, pode perder 30% ou mais de sua capacidade produtiva, al\u00e9m de tamb\u00e9m ter seu desempenho reprodutivo comprometido. Qual o peso disso no bolso do produtor? Dar \u00e0s vacas condi\u00e7\u00f5es adequadas de conforto \u00e9 fundamental para que possam ser eficientes.<br \/>\nO processo de alimenta\u00e7\u00e3o das vacas \u00e9 cr\u00edtico para que os alimentos, que representam o maior custo de produ\u00e7\u00e3o, sejam utilizados com efici\u00eancia na fazenda. \u00c9 fundamental manter uma rotina r\u00edgida de controle das misturas oferecidas \u00e0s vacas, de forma que a dieta colocada no cocho seja igual \u00e0 que foi formulada pelo t\u00e9cnico nutricionista. Misturas mal feitas resultam em baixa efici\u00eancia alimentar e pior desempenho dos animais, o que compromete seriamente a lucratividade da fazenda. \u00c9 important\u00edssimo ficar sempre muito atento a esse aspecto.<br \/>\nTalvez o maior problema das fazendas brasileiras seja a baixa qualidade dos alimentos volumosos, tanto as pastagens e forragens conservadas, como silagem de milho, pr\u00e9-secados ou fenos. Quanto melhor a qualidade dos volumosos, menor a necessidade de fornecer concentrado para se alcan\u00e7ar uma determinada meta de produ\u00e7\u00e3o, o que representa custo de alimenta\u00e7\u00e3o menor. Os esfor\u00e7os investidos na produ\u00e7\u00e3o de um alimento volumoso de alta qualidade s\u00e3o altamente compensadores,<br \/>\nCada um dos aspectos mencionados acima poderia ser tema de um artigo completo, no entanto, o objetivo aqui foi de pontuar que cortar a ra\u00e7\u00e3o das vacas nunca \u00e9 a melhor alternativa . Via de regra, isso resulta em menor RMCA, mesmo que haja redu\u00e7\u00e3o de custos. O segredo para se trabalhar bem em \u00e9pocas de crise \u00e9 buscar incessantemente a m\u00e1xima efici\u00eancia em todos os processos produtivos, e certamente h\u00e1 muito espa\u00e7o para ser mais eficiente nas fazendas de leite, independentemente do sistema e n\u00edvel tecnol\u00f3gico adotados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre M. 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