{"id":4910,"date":"2018-01-19T11:34:56","date_gmt":"2018-01-19T11:34:56","guid":{"rendered":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/?p=4910"},"modified":"2018-01-20T12:01:40","modified_gmt":"2018-01-20T12:01:40","slug":"duracao-do-periodo-seco-e-a-producao-de-leite-em-vacas-da-raca-holandesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/artigo\/duracao-do-periodo-seco-e-a-producao-de-leite-em-vacas-da-raca-holandesa\/2018\/01\/","title":{"rendered":"Dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco e a produ\u00e7\u00e3o  de leite em vacas da ra\u00e7a Holandesa"},"content":{"rendered":"<p><em>Associa\u00e7\u00e3o dos Criadores de Gado Holand\u00eas de Minas Gerais contribui com pesquisa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Andressa Silva Santos, Lilian Guimar\u00e3es Otoni, J\u00eanifer Gleice Pires de Andrade, Jannilson Gon\u00e7alves Barroso, Juscilene Aparecida Silva Pacheco, Lu\u00eds Cl\u00e1udio Coelho Maciel<\/strong><br \/>\n<em>Discentes do curso de Zootecnia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri &#8211; UFVJM. Membros do N\u00facleo de Estudos em Pecu\u00e1ria Leiteira \u2013 Nepel<\/em><\/p>\n<p><strong>Gabriel Machado Dallago<\/strong><br \/>\n<em>Mestrando em Nutri\u00e7\u00e3o de Ruminantes pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri &#8211; UFVJM. Membro do N\u00facleo de Estudos em Pecu\u00e1ria Leiteira \u2013 Nepel<\/em><\/p>\n<p><strong>Diego Charles de Almeida Santos<\/strong><br \/>\n<em>Diretor Executivo da Associa\u00e7\u00e3o dos Criadores de Gado Holand\u00eas de Minas Gerais- ACGHMG<\/em><\/p>\n<p><strong>Roseli Aparecida dos Santos<\/strong><br \/>\n<em>Docente do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri &#8211; UFVJM. Orientadora do N\u00facleo de Estudos em Pecu\u00e1ria Leiteira \u2013 Nepel<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Resumo: O per\u00edodo seco compreende o intervalo entre duas lacta\u00e7\u00f5es e refere-se \u00e0 fase de descanso produtivo do animal, podendo influenciar a produ\u00e7\u00e3o de leite da lacta\u00e7\u00e3o subsequente. Objetivou-se com este trabalho avaliar a influ\u00eancia da dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco de vacas, na produ\u00e7\u00e3o de leite subsequente. Os dados analisados foram fornecidos pela Associa\u00e7\u00e3o dos Criadores de Gado Holand\u00eas de Minas Gerais (ACGHMG), com informa\u00e7\u00f5es de 128 propriedades leiteiras de Minas Gerais, entre os anos de 1992 a 2016, totalizando 54.843 observa\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite em 305 dias de lacta\u00e7\u00e3o. Os dados foram analisados por meio de regress\u00e3o, utilizando o programa estat\u00edstico R, vers\u00e3o 3.4.1. O modelo quadr\u00e1tico ajustado foi estatisticamente significativo (p&lt;0,01) e apresentou coeficiente de ajuste de 0,52. As maiores produ\u00e7\u00f5es de leite foram observadas quando a dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco foi de 45 a 70 dias, resultando em produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 8.750 a 8.700 litros de leite, respectivamente. Dessa forma, n\u00e3o se recomenda manejo visando per\u00edodos secos com dura\u00e7\u00e3o inferior a 45 dias ou superior a 70 dias.<\/em><\/p>\n<p><em>Palavras\u2013chave: bovinocultura, fisiologia animal, manejo<\/em><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA bovinocultura de leite \u00e9 de grande import\u00e2ncia para o agroneg\u00f3cio brasileiro. Contudo, o sucesso da atividade requer que o produtor constantemente, tome decis\u00f5es que ir\u00e3o influenciar o manejo, a nutri\u00e7\u00e3o e a sanidade dos animais. Nesse sentido, pode-se citar a decis\u00e3o sobre qual ser\u00e1 a dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco das vacas.<br \/>\nO per\u00edodo seco compreende o intervalo entre duas lacta\u00e7\u00f5es, referente \u00e0 fase de descanso produtivo do animal. O final desta fase \u00e9 considerado cr\u00edtico, pois coincide com o t\u00e9rmino da gesta\u00e7\u00e3o, momento no qual os animais possuem reduzida capacidade de ingest\u00e3o de mat\u00e9ria seca. Essa condi\u00e7\u00e3o torna o animal mais suscept\u00edvel a desenvolver dist\u00farbios metab\u00f3licos no p\u00f3s-parto, sendo importante basear-se nos princ\u00edpios da sanidade, nutri\u00e7\u00e3o, manejo e conforto, para proporcionar transi\u00e7\u00e3o adequada entre o per\u00edodo seco e o in\u00edcio de nova lacta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO descanso produtivo fornecido ao gado leiteiro durante o per\u00edodo seco busca garantir tempo h\u00e1bil para a renova\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas da gl\u00e2ndula mam\u00e1ria, ac\u00famulo de colostro, assegurar o desenvolvimento final do feto e manter as reservas corporais do animal. Esse momento \u00e9 fundamental para a prepara\u00e7\u00e3o da vaca para o parto e para as lacta\u00e7\u00f5es futuras (TAO &amp; MONTEIRO, 2016).<br \/>\nOs questionamentos sobre o tempo necess\u00e1rio para o descanso produtivo da vaca (per\u00edodo seco) \u00e9 uma discuss\u00e3o antiga, havendo sempre diverg\u00eancias entre criadores e t\u00e9cnicos. Diante do exposto, objetivou-se com o presente trabalho verificar a influ\u00eancia da dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco na produ\u00e7\u00e3o de leite da lacta\u00e7\u00e3o subsequente.<\/p>\n<p><strong>Material e M\u00e9todos<\/strong><br \/>\nO banco de dados utilizados no presente trabalho foi fornecido pela Associa\u00e7\u00e3o dos Criadores de Gado Holand\u00eas de Minas Gerais &#8211; ACGHMG, contendo dados coletados de 128 propriedades leiteiras do estado de Minas Gerais, ao longo dos anos de 1992 e 2016. O arquivo cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite subsequente (305 dias de lacta\u00e7\u00e3o) totalizando 70.130 observa\u00e7\u00f5es de animais da ra\u00e7a Holandesa.<br \/>\nOs dados foram analisados por meio de regress\u00e3o, utilizando o programa estat\u00edstico R, vers\u00e3o 3.4.1 (R CORE TEAM, 2017). Durante a prepara\u00e7\u00e3o, foram eliminadas as observa\u00e7\u00f5es onde o valor zero estava registrado para a vari\u00e1vel produ\u00e7\u00e3o de leite. Al\u00e9m disso, foram consideradas apenas as observa\u00e7\u00f5es nas quais a dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do per\u00edodo seco era de 120 dias. A remo\u00e7\u00e3o de outliers foi adotada como par\u00e2metro de descarte de observa\u00e7\u00f5es com valores inferiores ou superiores a -2,5 e +2,5 vezes o desvio absoluto mediano em adi\u00e7\u00e3o \u00e0 mediana dos dados, respectivamente. Assim, ap\u00f3s a prepara\u00e7\u00e3o dos dados, a an\u00e1lise foi realizada com 54.843 observa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA an\u00e1lise de regress\u00e3o foi conduzida utilizando a fun\u00e7\u00e3o lm do pacote stats, assumindo a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de leite, em uma lacta\u00e7\u00e3o de 305 dias, como vari\u00e1vel dependente (y) e, a dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco, como vari\u00e1vel independente (x). A escolha do modelo de melhor ajuste foi com base na menor soma dos quadrados do res\u00edduo e pelo maior coeficiente de determina\u00e7\u00e3o do ajuste do modelo (R2). A signific\u00e2ncia do modelo e dos coeficientes angulares foi avaliada adotando o n\u00edvel de 5% ou menos. A normalidade de distribui\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos foi confirmada pelo teste de Shapiro-Wilk, utilizando a fun\u00e7\u00e3o shapiro.test do pacote stats, adotando 5% como n\u00edvel de signific\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Resultados e Discuss\u00e3o<\/strong><br \/>\nO modelo quadr\u00e1tico foi o que melhor se ajustou na modelagem da vari\u00e1vel \u201cprodu\u00e7\u00e3o de leite em 305 dias de lacta\u00e7\u00e3o\u201d, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vari\u00e1vel \u201cdura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco\u201d, sendo estatisticamente significativo (P&lt;0,01) e apresentando coeficiente de ajuste do modelo de 0,52 (Figura 1).<br \/>\nFigura 1. Efeito da dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco na produ\u00e7\u00e3o de leite lacta\u00e7\u00e3o subsequente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4911\" src=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/2018-01-22.jpg\" alt=\"2018-01-22\" width=\"800\" height=\"488\" srcset=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/2018-01-22.jpg 800w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/2018-01-22-300x183.jpg 300w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/2018-01-22-768x468.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><br \/>\n<em>*** Coeficiente angular estatisticamente significativo (P &lt; 0,01).<\/em><\/p>\n<p>De acordo com a Figura 1, ficou evidente o aumento da produ\u00e7\u00e3o de leite concomitantemente com o aumento da dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco de 0 at\u00e9 pr\u00f3ximo a 60 dias e, redu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s. Per\u00edodos secos curtos podem n\u00e3o fornecer tempo suficiente para descanso e prepara\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas da gl\u00e2ndula mam\u00e1ria para dar in\u00edcio a uma nova lacta\u00e7\u00e3o (LANGONI, 2013), podendo ser esta, uma das explica\u00e7\u00f5es para o resultado encontrado no presente trabalho.<br \/>\nPor outro lado, a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de leite de animais com per\u00edodo seco superior a 70 dias, \u00e9 negativamente influenciada (Figura 1). Como citado por Teixeira et al. (1999), per\u00edodos secos muito longos, acima de 70 dias, tendem a aumentar a incid\u00eancia de problemas metab\u00f3licos no p\u00f3s-parto, o que leva \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o leiteira, causando tamb\u00e9m, aumento do intervalo de partos, consequentemente, diminuindo a efici\u00eancia reprodutiva do rebanho.<br \/>\nDe acordo com os dados analisados observou-se que as maiores produ\u00e7\u00f5es de leite ocorreram quando a dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo seco foi de aproximadamente 45 a 70 dias, visto o pico da linha de tend\u00eancia, o que resultou em produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia em torno de 8.750 e 8.700 litros de leite em 305 dias de lacta\u00e7\u00e3o, respectivamente, sendo este, considerado o per\u00edodo ideal para maximizar a produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAl\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de leite, o manejo inadequado durante o per\u00edodo seco pode influenciar negativamente a reprodu\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade das vacas. Esse impacto negativo pode promover alguns problemas metab\u00f3licos e infecciosos, tais como hipocalcemia (febre do leite), cetose, deslocamento de abomaso, reten\u00e7\u00e3o de placenta e mastite, que podem inclusive, ocasionar a morte do animal (DUFFIELD et al. 2002).<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><br \/>\nNo estado de Minas Gerais, as maiores produ\u00e7\u00f5es de leite observadas em rebanhos da ra\u00e7a Holandesaocorreram quando o per\u00edodo seco variou entre 45 e 70 dias.<\/p>\n<p><strong>Agradecimentos<\/strong><br \/>\n\u00c0 Associa\u00e7\u00e3o dos Criadores de Gado Holand\u00eas de Minas Gerais (ACGHMG) pelo fornecimento dos dados e ao N\u00facleo de Estudos em Pecu\u00e1ria Leiteira (NEPEL), em especial \u00e0 orientadora, Profa. Roseli Aparecida dos Santos, pelo apoio e incentivo.<br \/>\n<b>Bibliografia<\/b><br \/>\nDUFFIELD, T. et al. Prepartum monensin for the reduction of energy associated disease in postpartum dairy cows.<br \/>\nJornal of Dairy Science, v.85, n.2, p. 397-405, 2002.<\/p>\n<p>LANGONI, H. Anais do V Congresso Brasileiro da Qualidade do Leite-CBQL. Veterin\u00e1ria e Zootecnia, v.20, n.2, p.001-460, 2013.<\/p>\n<p>R CORE TEAM. R: A language and environment for statistical computing. Vienna, Austria: R Foundation for<br \/>\nStatistical Computing, 2017.<\/p>\n<p>TAO, S.; MONTEIRO, A. P. A. Efeitos do manejo no per\u00edodo pr\u00e9-parto sobre o crescimento e a sa\u00fade dos bezerros. Cad. T\u00e9c. Vet. zootec, 09-25, 2016.<\/p>\n<p>TEIXEIRA, N. M. et al. Effects of the previous and present days open and of the previous dry days period on the milk production of the Holstein breed. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 28, n.1, p. 79-85,1999.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>LEIA MAIS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/2018\/01\/19\/holandes-investindo-em-pesquisa\/\" target=\"_blank\">HOLAND\u00caS INVESTINDO EM PESQUISA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associa\u00e7\u00e3o dos Criadores de Gado Holand\u00eas de Minas Gerais contribui com pesquisa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4914,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-4910","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4910"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4910\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4982,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4910\/revisions\/4982"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}