{"id":9092,"date":"2021-09-28T10:49:27","date_gmt":"2021-09-28T10:49:27","guid":{"rendered":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/?p=9092"},"modified":"2021-10-27T16:54:24","modified_gmt":"2021-10-27T16:54:24","slug":"beneficios-do-leite-de-transicao-apos-a-colostragem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/saude\/beneficios-do-leite-de-transicao-apos-a-colostragem\/2021\/09\/","title":{"rendered":"BENEF\u00cdCIOS DO LEITE DE TRANSI\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A transi\u00e7\u00e3o gradativa de dieta \u00e9 importante para maior efici\u00eancia produtiva<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de bezerras saud\u00e1veis \u00e9 um componente essencial\npara garantir que os rebanhos futuros sejam de alta produ\u00e7\u00e3o. Com isso,\npr\u00e1ticas de manejo que auxiliem a reduzir a ocorr\u00eancia de doen\u00e7as,\nprincipalmente nas primeiras semanas de vida da bezerra, s\u00e3o fundamentais para\ntornar a cria\u00e7\u00e3o eficiente e rent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o fornecimento de leite de transi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o per\u00edodo de colostagem, tem sido bastante discutido como um manejo que pode minimizar os riscos de doen\u00e7as na cria\u00e7\u00e3o de bezerras e consequentemente melhorar o desempenho da fase de cria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"342\" src=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/CHAMADA-09-03-1024x342.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9095\" srcset=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/CHAMADA-09-03-1024x342.jpg 1024w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/CHAMADA-09-03-300x100.jpg 300w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/CHAMADA-09-03-768x256.jpg 768w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/CHAMADA-09-03.jpg 1616w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;O leite de transi\u00e7\u00e3o\npode ser definido como a secre\u00e7\u00e3o produzida pela gl\u00e2ndula mam\u00e1ria no per\u00edodo\nintermedi\u00e1rio entre a produ\u00e7\u00e3o de colostro e o leite integral. Uma das\nprimeiras defini\u00e7\u00f5es dizia que ap\u00f3s as duas primeiras ordenhas, classicamente\ndefinidas como colostro, o per\u00edodo entre a terceira e quinta ordenha\nsubsequentes s\u00e3o considerados leite de transi\u00e7\u00e3o e posteriormente leite\nintegral (Parrish et al., 1953).<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 de acordo com Godden (2008), o per\u00edodo entre a segunda\nat\u00e9 sexta ordenha p\u00f3s-parto \u00e9 considerado leite de transi\u00e7\u00e3o, pois h\u00e1 um\ndecl\u00ednio gradual dos componentes nutricionais e bioativos ap\u00f3s a primeira\nordenha.<\/p>\n\n\n\n<p>O leite de transi\u00e7\u00e3o apresenta perfil nutricional e\nimunol\u00f3gico superior ao leite integral (Tabela 1). Apesar de ocorrer o decl\u00ednio\ngradual dos componentes presentes no colostro, o leite de transi\u00e7\u00e3o ainda\napresenta concentra\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis de gordura, prote\u00ednas, amino\u00e1cido e\ncompostos bioativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as imunoglobulinas presentes no leite de transi\u00e7\u00e3o\nn\u00e3o resultem em maior absor\u00e7\u00e3o de IgG, devido ao processo de fechamento do\nintestino por volta de 24h ap\u00f3s o nascimento, as imunoglobulinas podem impedir\ninfec\u00e7\u00f5es causada por v\u00edrus e bact\u00e9rias ent\u00e9ricas (Snodgrass et al., 1982).<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a das imunoglobulinas no intestino 24 horas ap\u00f3s o nascimento proporciona prote\u00e7\u00e3o local, atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o de uma camada que impede a liga\u00e7\u00e3o de microrganismos \u00e0 parede intestinal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"632\" height=\"350\" src=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/HO2021-09019A.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9093\" srcset=\"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/HO2021-09019A.jpg 632w, https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/HO2021-09019A-300x166.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 632px) 100vw, 632px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;A ideia \u00e9 permitir\nque o aporte e o perfil de nutrientes e de compostos bioativos sejam alterados\nde maneira gradativa, realmente fazendo uma transi\u00e7\u00e3o lenta do fornecimento de\ncolostro para o leite. Al\u00e9m disso, que o animal se beneficie deste maior aporte\nde nutrientes e compostos bioativos por mais tempo do que uma, ou no m\u00e1ximo\nduas refei\u00e7\u00f5es de colostro, como normalmente se recomenda.<\/p>\n\n\n\n<p>O fornecimento de leite de transi\u00e7\u00e3o deveria fazer parte do\nprotocolo de colostragem de forma a se garantir estes benef\u00edcios no desempenho\ne sa\u00fade dos animais. Como em outras etapas do crescimento ou mesmo no ciclo\nprodutivo de vacas, a transi\u00e7\u00e3o gradativa de dieta \u00e9 importante para maior\nefici\u00eancia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como o colostro, o leite de transi\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte de\nv\u00e1rios compostos bioativos, como os fatores de crescimento semelhante a\ninsulina (IGF-I e IGF-II), insulina, lactoferrina, lisozima e lactoperoxidase.<\/p>\n\n\n\n<p>O IGF-I proveniente das primeiras secre\u00e7\u00f5es mam\u00e1rias\np\u00f3s-parto pode ser um regulador chave no desenvolvimento do TGI de bezerros\nrec\u00e9m-nascidos, incluindo a estimula\u00e7\u00e3o do crescimento da mucosa, de enzimas\npresentes na borda em escova, da s\u00edntese de DNA intestinal, do aumento do\ntamanho das vilosidades e do aumento da capta\u00e7\u00e3o de glicose (Blum, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, os IGFs e a insulina, estimulam a capta\u00e7\u00e3o de\nglicose, a s\u00edntese de glicog\u00eanio, prote\u00edna, e lip\u00eddios e a prolifera\u00e7\u00e3o celular\nmelhorando o aporte de nutrientes e consequentemente o desempenho e a sa\u00fade dos\nanimais.<\/p>\n\n\n\n<p>Fatores antioxidantes enzim\u00e1ticos, como a lactoperoxidase e\na lisozima, e n\u00e3o enzim\u00e1ticos como as vitaminas A, C e E, o sel\u00eanio e a\nlactoferrina tamb\u00e9m podem ser encontrados no leite de transi\u00e7\u00e3o. A\nlactoperoxidase \u00e9 uma enzima que tem capacidade bactericida contra bact\u00e9rias\npatog\u00eanicas gram-negativas e bacteriost\u00e1tica contra muitas gram-positivas (Fox\ne Kelly 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>A lisozima \u00e9 uma enzima que se liga \u00e0 parede celular\nbacteriana, causando lise das bact\u00e9rias, ou seja, tamb\u00e9m tem capacidade\nbactericida.<\/p>\n\n\n\n<p>A lactoferrina \u00e9 uma glicoprote\u00edna de liga\u00e7\u00e3o ao ferro, com\natividade antimicrobiana, anti-inflamat\u00f3ria e antioxidante, sendo um componente\nda resposta imune inata e um potente imunomodulador. A atividade antimicrobiana\nda lactoferrina pode ser considerada de amplo espectro contra bact\u00e9rias, como\nEscherichia coli, fungos, v\u00edrus e protozo\u00e1rios (Gomez e Chamorro, 2017). Essas\npropriedades antimicrobianas da lactoferrina s\u00e3o atribu\u00eddas \u00e0 sua capacidade de\nse ligar ao ferro do meio, indisponibilizando-o para as bact\u00e9rias durante seu\ncrescimento. A lactoferrina tamb\u00e9m tem um papel importante na modula\u00e7\u00e3o da diferencia\u00e7\u00e3o\ne prolifera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas intestinais (Gomez e Chamorro, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>A glicoprote\u00edna lactoferrina e fatores enzim\u00e1ticos presentes\nno leite de transi\u00e7\u00e3o apresentam importante fun\u00e7\u00e3o nas defesas inespec\u00edficas do\nanimal. Isso ocorre pois essas mol\u00e9culas podem se ligar, bloquear o crescimento\ne impedir a dissemina\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos presentes na mucosa intestinal,\nauxiliando na manuten\u00e7\u00e3o da integridade e permeabilidade intestinal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os componentes bioativos e nutricionais presente no leite de\ntransi\u00e7\u00e3o podem beneficiar a sa\u00fade e o crescimento geral dos bezerros, pois o\naumento no desenvolvimento do trato digestivo, particularmente o intestino\ndelgado, permite uma melhor absor\u00e7\u00e3o de nutrientes e de outras mol\u00e9culas\nbioativas (Pyo et al., 2020). Al\u00e9m disso, permitem aumento no desenvolvimento\ndo intestino delgado e uma melhora subsequente na absor\u00e7\u00e3o de glicose, que\npermitem que os bezerros superem a hipoglicemia e o balan\u00e7o energ\u00e9tico\nnegativo, que \u00e9 comum em bezerros rec\u00e9m-nascidos (Steinhoff-Wagner et al., 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desses efeitos, o leite de transi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode\ncontribuir para o desenvolvimento e o estabelecimento da microbiota comensal em\nbezerros rec\u00e9m-nascidos (Hromadkova et al., 2020). Com isso, realizar a\ntransi\u00e7\u00e3o do colostro para a dieta l\u00edquida com leite de transi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode\nser ben\u00e9fico para o microbioma intestinal, o que tem impacto positivo na sa\u00fade\nintestinal e consequentemente no desempenho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma pesquisa foi avaliado o fornecimento de tr\u00eas\nprotocolos de leite de transi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>Suced\u00e2neo;<\/p>\n\n\n\n<p>Leite de transi\u00e7\u00e3o materno;<\/p>\n\n\n\n<p>Suced\u00e2neo suplementado <\/p>\n\n\n\n<p>com colostro em p\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pesquisa, verificou-se que os animais que\nreceberam leite de transi\u00e7\u00e3o materno e suced\u00e2neo suplementado com colostro em\np\u00f3, apresentaram maior peso ao desaleitamento, em rela\u00e7\u00e3o aos bezerros que\nforam alimentados apenas com suced\u00e2neo (Van Soest et al., 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho mostrou grandes vantagens no fornecimento de\nleite de transi\u00e7\u00e3o, seja o materno ou o formulado, com resultados de desempenho\nbastante superiores \u00e0queles observados em animais que ap\u00f3s a colostragem foram\nalimentados diretamente com suced\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pyo et al. (2020) tamb\u00e9m mostraram que o fornecimento\nprolongado de colostro ou colostro junto com leite (50% colostro e 50% leite)\npor tr\u00eas dias ap\u00f3s o nascimento, melhorou o desenvolvimento do intestino\ndelgado, quando comparados com bezerros neonatos que receberam apenas leite\nlogo ap\u00f3s a colostragem. Os ganhos no desenvolvimento intestinal com o\nfornecimento de colostro n\u00e3o foram diferentes o suficiente do fornecimento de\nleite de transi\u00e7\u00e3o para que o fornecimento prolongado de colostro, que tem\ndisponibilidade restrita, fosse recomendado como rotina.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a composi\u00e7\u00e3o do leite de transi\u00e7\u00e3o, com ainda\naltas concentra\u00e7\u00f5es de compostos bioativos e tamb\u00e9m maior aporte energ\u00e9tico\ndurante os primeiros dias de vida do bezerro, justifica-se a transi\u00e7\u00e3o de\nfornecimento de colostro para a dieta l\u00edquida, seja leite ou suced\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que, a mudan\u00e7a abrupta do colostro para a dieta\nl\u00edquida exclui uma importante fase nutricional, na qual as vacas produzem uma\nsecre\u00e7\u00e3o rica em nutrientes e energia contendo horm\u00f4nios e bioativos\nimportantes para o desenvolvimento da bezerra. Os dados iniciais sobre o\nfornecimento de leite de transi\u00e7\u00e3o mostram que a \u00fanica refei\u00e7\u00e3o de colostro (as\nvezes duas) normalmente sugerida para garantir sa\u00fade e desenvolvimento do\nanimal, s\u00f3 faz sentido se estiver acompanhada do fornecimento de leite de\ntransi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que v\u00e1rios produtores j\u00e1 tem adotado o\nfornecimento de leite de transi\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de rotina nas fazendas, seja\nfornecendo leite de transi\u00e7\u00e3o materno, seja formulando atrav\u00e9s da inclus\u00e3o de\ncolostro ou colostro em p\u00f3 no leite fornecido. Ajuste a log\u00edstica na sala de\nordenha para ter esse benef\u00edcio no desenvolvimento e sa\u00fade dos bezerros. Tenho\ncerteza que vai valer \u00e0 pena!<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Fonte: MilkPoint\/Por Ana Paula da Silva e Carla Maris Machado Bittar<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o gradativa de dieta \u00e9 importante para maior efici\u00eancia produtiva<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9095,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-9092","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9092"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9092\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9130,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9092\/revisions\/9130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9095"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gadoholandes.com\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}